segunda-feira, 15 de outubro de 2007


Podia escrever-te agora
um poema dos antigos
Poemas de amor perdidos
na revolução dos tempos.

Podia escrever-te agora
um poema dos antigos,
falaria da demora
dos olhares naquele instante,
dos roçares de mãos escondidos,
do palpitar inconstante
de corações aturdidos.
Dar-te-ia a minha alma,
ainda mais se o não pudesse,
e sonharia contigo
quando lá fora anoitece.

Mas são outros os tempos já
que tais coisas catalogam,
renegando o que será
por todos no fim desejado,
p'ra qualquer lugar alado
de alegres contos de fadas.
Isto é no bom sentido;
que há os que por despeito,
de coração ofendido,
ou por um simples ciúme
de um outro mais ditoso,
colocam estes dizeres
com o adjectivo: piroso.

Ainda assim meu amor,
correndo o (tão grave!) risco
de parecer antiquada,
acho que ainda arrisco
e penso: não perco nada;
dizer-te nestes meus versos
como me sinto estes dias.
Como as minhas mãos estão frias
se não te encontro ao meu lado,
e do sentir dos teus lábios
renasce o meu ser cansado
do que às vezes nos separa.
Neste nosso amor profundo
entrego-te a minha alma
e o meu coração pactua
quando a sussurrar te digo
que, por minha escolha, sou tua.
E tua seria ainda se fosse
dos antigos o poema,
e dos amores proibidos
tratasse o seu nobre tema.

3 comentários:

Unknown disse...

Fantástico! Não te sabia tão dotada!!! Tens andado escondida...
Bjs.
Uncle John

Unknown disse...

Ola!!!
Este está simplesmente LINDO!!!
Tens um jeitão...
Parabéns.
Beijãoooo

Anónimo disse...

Está lindo! Estou comovida...
Beijinhos da mãezinha querida!